[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

domingo, 23 de abril de 2017

[1587.] 25 DE ABRIL DE 1974 || PROCLAMAÇÃO DA JUNTA DE SALVAÇÃO NACIONAL [I]

* 26 DE ABRIL DE 1974 || PROCLAMAÇÃO LIDA PELO GENERAL SPÍNOLA || 01H25 *

 

[1586.] 25 DE ABRIL DE 1974 - COMUNICADOS DO MFA [XI] || 22H00

* 25 DE ABRIL DE 1974 || 11.º COMUNICADO DO MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS || 22 HORAS *


[1585.] 25 DE ABRIL DE 1974 - COMUNICADOS DO MFA [X] || 20H00

* 25 DE ABRIL DE 1974 || 10.º COMUNICADO DO MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS || 20 HORAS *


[1584.] 25 DE ABRIL DE 1974 - COMUNICADOS DO MFA [IX] || 14H45

* 25 DE ABRIL DE 1974 || 9.º COMUNICADO DO MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS || 14H45 *


[1583.] 25 DE ABRIL DE 1974 - COMUNICADOS DO MFA [VIII] || 14H15

* 25 DE ABRIL DE 1974 || 8.º COMUNICADO DO MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS || 14H15 *


[1582.] 25 DE ABRIL DE 1974 - COMUNICADOS DO MFA [VII] || 11H00

* 25 DE ABRIL DE 1974 || 7.º COMUNICADO DO MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS || 11 HORAS *

 

[1581.] 25 DE ABRIL DE 1974 - COMUNICADOS DO MFA [VI] || 08H45

* 25 DE ABRIL DE 1974 || 6.º COMUNICADO DO MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS || 08H45 *


[1580.] 25 DE ABRIL DE 1974 - COMUNICADOS DO MFA [V] || 07H30

* 25 DE ABRIL DE 1974 || 5.º COMUNICADO DO MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS || 07H30 *


[1579.] 25 DE ABRIL DE 1974 - COMUNICADOS DO MFA [IV] || 06H45

* 25 DE ABRIL DE 1974 || 4.º COMUNICADO DO MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS || 06H45 *


[1578.] 25 DE ABRIL DE 1974 - COMUNICADOS DO MFA [III] || 05H15

* 25 DE ABRIL DE 1974 || 3.º COMUNICADO DO MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS || 05H45 *


sexta-feira, 21 de abril de 2017

[1577.] ELZIRA DANTAS MACHADO [VII] || 22/04/1942

* NOTÍCIA DA SUA MORTE HÁ 75 ANOS, A 21 DE ABRIL DE 1941 *

|| VIA FB DO DR. MANUEL SÁ-MARQUES ||

[Diário de Lisboa || 22/04/1942]

quarta-feira, 19 de abril de 2017

[1576.] MULHERES DA CLANDESTINIDADE || VANESSA DE ALMEIDA

* MULHERES DA CLANDESTINIDADE *

[Edições  Parsifal || Março de 2017]

43 anos decorridos sobre Abril de 1974, continua a não ser devidamente evocado e valorizado o papel que as clandestinas comunistas tiveram na luta contra uma ditadura que se prolongou por 48 anos. 

Abdicando da sua liberdade individual e identidade, cortando laços familiares, deslocando-se para lugares desconhecidos e isolados, (sobre)vivendo em condições económicas e sociais difíceis de imaginar, procurando salvaguardar os outros e, muitas vezes, construir e reconstruir novas famílias, arrastando com incompreensões e estereótipos masculinos e resistindo à fascização do quotidiano, tornaram-se peça chave, embora discreta e desvalorizada, na longevidade ininterrupta do combate antifascista de um partido clandestino que contava nas suas fileiras com escassos milhares de militantes.

Elas existiram, são de carne e osso, e ei-las num desfilar diversificado de testemunhos e memórias, por vezes dolorosos, que Vanessa de Almeida materializou neste seu livro, incorporando-as no combate antifascista e merecedoras, tanto quanto os homens, de idêntico reconhecimento.

Quantas mulheres (e homens) estariam, hoje, de novo, dispostos a optar por uma vida repleta de sacrifícios, angústias, medos, prisões, torturas e morte, sem saberem quando chegaria essa “madrugada” libertadora e emergiriam “da noite e do silêncio”?  

Mulheres da Clandestinidade, de Vanessa de Almeida, é mais um importante contributo para colmatar lacunas e silenciamentos sobre o papel das clandestinas do Partido Comunista e a sua vida na clandestinidade, para além de dar a palavra às suas protagonistas, resgatando-as para a História. 

Sim, porque o combate ao fascismo não se deu apenas no masculino, nem a luta antifascista de décadas teria sido possível sem estas mulheres. Estas e, claro, muitas outras. 


terça-feira, 18 de abril de 2017

[1575.] DICIONÁRIO DE HISTÓRIA DE PORTUGAL - O 25 DE ABRIL || VOLUME 1

* O 25 DE ABRIL, O PERÍODO REVOLUCIONÁRIO E A DEMOCRACIA NO MASCULINO OU DA INVISIBILIDADE HISTORIOGRÁFICA DAS MULHERES *

[Figueirinhas || 2016]

Obra aliciante e oportuna, dirigida a todos quantos queiram reler, estudar, revisitar ou iniciar-se no período histórico entre 25 de Abril de 1974 e 28 de Junho de 1976, é constituída por 8 volumes em formato A5 e cerca de 800 verbetes, distribuídos por mais de centena e meia de colaboradores sob a coordenação de António Reis, Maria Inácia Rezola e Paula Borges Santos.

Sendo que um Dicionário constitui o resultado datado de opções metodológicas, historiográficas, ideológicas e, até, políticas, nunca é exaustivo e permite leituras e olhares diferenciados sobre o produto final.

E, numa primeira abordagem, há algo que se destaca no seu 1.º volume, datado de 2016 e formado pelas Letras A e B: dos 80 verbetes, apenas 4 são referentes a nomes femininos.

As contempladas são três escritoras (Sophia de Mello Breyner Andresen, Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa-Luís, Fiama Hasse Pais Brandão) e uma activista política, com percurso antifascista e após a revolução de 25 de Abril (Beatriz Magalhães Almeida Cal Brandão). 

Ou seja, as mulheres correspondem a 5% do total de entradas do 1.º Volume. 

Residual, demasiado residual, quando se sabe que elas tiveram papel activo nesse período histórico, dando continuidade a uma intervenção cada vez mais evidente durante a década de 60 e inícios dos anos 70.

Pode ser que os outros volumes invertam esta tendência.

domingo, 5 de março de 2017

[1573.] ADMISSÃO DE MULHERES NA FUNÇÃO PÚBLICA - 1910 [I]

* ADMISSÃO DE MULHERES NA JUNTA DO CRÉDITO PÚBLICO - MINISTÉRIO DAS FINANÇAS *

POR DECRETO, COM FORÇA DE LEI, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1910, DA AUTORIA DO MINISTRO DAS FINANÇAS JOSÉ RELVAS, SÃO ADMITIDAS AS PRIMEIRAS 15 MULHERES NA FUNÇÃO PÚBLICA

Só são admitidas senhoras com menos de  25 anos de idade e é dada preferência a órfãs de empregados civis, condições contestadas pela Liga Republicana das Mulheres Portuguesas em 27 de Dezembro do mesmo ano.

Um ano depois, segundo artigo no jornal O Mundo, eram já (só) 21 mulheres a trabalhar na Junta do Crédito Público:

[O Mundo, 1911/11/02] 

«Feminismo em acção - As mulheres nas repartições do Estado – O trabalho das mulheres excede o dos homens em mais de um terço

Uma das maiores regalias que a República concedeu à mulher, foi a sua admissão nas repartições do Estado. Na Junta do Crédito Público criaram-se secções especiais, onde foram admitidas algumas senhoras, que com grande êxito se têm desempenhado da sua missão. Achámos interessante obter algumas informações sobre o assunto, e por isso procurámos ontem na sua secretária um dos mais antigos funcionários da Junta do Crédito Público, que nos recebeu amavelmente, acedendo de bom grado ao nosso pedido. 
- A admissão das senhoras na Junta do Crédito Público foi, não há dúvida, de grandíssima vantagem, começa o nosso informador, que é um dos raros republicanos de antes de 5 de Outubro ao serviço da Junta. Ministros e directores-gerais que têm visitado a instalação tecem os mais rasgados elogios a todas as empregadas. Na Junta, o trabalho das mulheres, no ramo de serviço que lhe foi confiado, dá sobre o dos homens mais de um terço na produção. Cada homem colocava por dia em ordem rigorosa 5.000 cupões e registava 12.000. Cada mulher coloca 6.000 a 8.000 e regista 18.000 a 20.000 cupões. Como vê, a diferença é assinalável...
- Foram já admitidas mais algumas empregadas? 
- Sim senhor. Tendo-se verificado a superioridade do trabalho das mulheres, a Junta do Crédito Público substituiu já seis assalariados por seis mulheres. Assim, a secção criada para 15 empregadas, por decreto da República, conta actualmente 21 e tem já senhoras empregadas no serviço de contabilidade. 
- Parece-lhe então que foi uma grande obra da República? 
- Não há dúvida. Foi o definitivo triunfo das reivindicações feministas. Verificam-se logo as vantagens dessa medida pelos bons resultados obtidos. Houve de princípio, como era natural, umas certas dificuldades na admissão, na instalação e disciplina indispensável, mas tudo se conseguiu felizmente com o esforço e boa vontade do director. Há mais de 30 anos que se pedia aos presidentes da Junta e aos governos que, a exemplo do que se praticava no estrangeiro, fossem confiados à mulher os trabalhos de colocação e registo de cupões, que demandam paciência e aplicação especial. Levantaram-se sempre dificuldades e só agora pôde conseguir-se a instalação, que honra a República e a Junta, e que abre a porta das repartições públicas à mulher portuguesa. 
- Parece-lhe então que serão criadas novas secções em outros estabelecimentos públicos? 
- Tenho a certeza. É preciso, porém, que as formalidades da admissão não sejam tão restringidas à certidão de pobreza, como fixa o decreto que criou a secção na Junta. O que é essencial é exigir-se seriedade, para o regular andamento dos trabalhos...»
[O Mundo, 02/11/1911]

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

[1571.] CRUZADA DAS MULHERES PORTUGUESAS [XV] || EXPOSIÇÃO DA BNP

* CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO DA BNP || 2016 *

[As doze enfermeiras: aqui]

Catálogo || Cruzada das Mulheres Portuguesas

Coord. || Luís Sá e Manuela Rêgo

Textos || Isabel Lousada, João José Alves Dias, Maria Lúcia de Brito Moura, Natividade Monteiro 

Edição impressa não disponível || Ebook €4.00 (IVA incluído)

"Descrição: 

A Cruzada das Mulheres Portuguesas (CMP), inspirada em La Croisade des Femmes Françaises, foi fundada a 20 de março de 1916 por um grupo de 80 mulheres, em que se incluíam Elzira Dantas Machado, mulher do presidente da República, Bernardino Machado, Ana de Castro Osório, Ana Augusta de Castilho, Antónia Bermudes e Maria Benedita Mouzinho de Albuquerque Pinto [Pinho]

A CMP foi a herdeira da Comissão Feminina «Pela Pátria» (1914), que tinha como objetivo prestar assistência aos lesados da Grande Guerra.

A CMP não se ficou pelas campanhas de recolha de donativos, pela confeção e distribuição de bens e agasalhos aos mais carenciados e pelo apoio aos soldados. 

Desenvolveu a sua ação através de comissões (Propaganda, Enfermagem e Assistência aos Militares Mobilizados), promoveu a organização de cursos destinados a preparar enfermeiras e a criação de um hospital, o qual, instalado no antigo convento de Arroios, sob a presidência de Ester Norton de Matos, visava a reinserção dos mutilados regressados da frente de batalha.

A CMP impulsionou também a criação de inúmeros estabelecimentos, tendo em vista quer o desenvolvimento das capacidades profissionais, quer o acolhimento aos mais desfavorecidos, nomeadamente a casa de trabalho em Xabregas, e promoveu a abertura de creches, escolas e orfanatos.

Criou ainda, em França, o Hospital Militar Português em Hendaia.

Esta obra é composta por três partes: um conjunto de estudos da autoria de Isabel Lousada, Maria Lúcia de Brito Moura, Natividade Monteiro e João José Alves Dias; um catálogo, que tem por base a documentação enviada para a Biblioteca Nacional, em 1917, pela Comissão Feminina «Pela Pátria», destinada ao projetado Museu de Guerra; e uma antologia de textos de Albino Forjaz de Sampaio, Ana de Castro Osório, Leal da Câmara e outros, publicados na imprensa da época sobre a Aldeia Portuguesa, um projeto idealizado por Leal da Câmara, em colaboração com Teixeira Lopes, que visava construir na Flandres um local que perpetuasse a memória dos portugueses que intervieram na Grande Guerra e onde pudessem ser enterrados os soldados mortos."

[1570.] PAULINE CHAPONNIÈRE-CHAIX [I]

* Religiosa, Enfermeira e Feminista suíça *
[Genève, 01/11/1850 - Genève, 06/12/1934]

Sócia Honorária do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas 
[deliberação da Assembleia-Geral de 23 de Dezembro de 1920]


[Alma Feminina || Janeiro-Fevereiro de 1921]

sábado, 31 de dezembro de 2016

[1568.] PRÉMIO DE POESIA VASCO GRAÇA MOURA 2016 [I]

* ... PORQUE A AMIZADE É O MAIS BELO LUGAR DA TERRA *

|| LEMBRANÇA PARA LUÍS TELLES; MIGUEL VEIGA E VASCO GRAÇA MOURA ||

|| DIVULGAÇÃO DO PRÉMIO DE POESIA VASCO GRAÇA MOURA 2016 ||

|| 5 DE JANEIRO DE 2015 || 17.45 || FUNDAÇÃO ENG.º ANTÓNIO DE ALMEIDA ||


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

[1566.] JORGE MARÇAL DA SILVA [II] || CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO

* JORGE MARÇAL DA SILVA (1878-1929) E CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO (1878-1911) *

|| CURSO DO 2.º ANO DA ESCOLA MÉDICO-CIRÚRGICA DE LISBOA (1898-1899) ||

A fotografia que aqui se reproduz consta do livro Jorge Marçal da Silva. Mais cem fotografias de Portugal há cem anos, editado pela Ordem dos Médicos em 2016, e foi gentilmente disponibilizada pelo Dr. Manuel Mendes Silva, neto de Jorge Marçal da Silva, a quem muito reconhecidamente agradecemos.

Datado de 14 de Março de 1899, é um documento histórico ímpar por nele constar Carolina Beatriz Ângelo, então com 20 anos, a única mulher entre quase cinco dezenas de colegas.

[Jorge Marçal da Silva é o quinto, de pé, a contar da esquerda || Fotografia com direitos reservados do autor e editor]

[Pormenor da fotografia || Carolina a um mês de completar 21 anos || Fotografia com direitos reservados do autor e editor]

[Ordem dos Médicos, 2016 || Projecto de Manuel Mendes Silva]

Este livro dá continuidade a um primeiro intitulado Cem fotografias de Portugal há cem anos, ambos publicados pela Ordem dos Médicas na Colecção História da Medicina e cujos direitos revertem a favor da Acreditar, Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro.

 Vale o empenho adquiri-los na Ordem dos Médicos!

domingo, 18 de dezembro de 2016

[1565.] JORGE MARÇAL DA SILVA [I]

* MAIS CEM FOTOGRAFIAS DE PORTUGAL HÁ CEM ANOS *

|| FOTOGRAFIAS DE JORGE MARÇAL DA SILVA || PROJECTO DE MANUEL MENDES SILVA ||

[Edição Ordem dos Médicos, 2016]

Há felizes acasos que nos fazem tomar contacto com livros pouco divulgados e inexistentes nas livrarias.

Foi o que sucedeu há dias, aquando da apresentação na Ordem dos Médicos do livro de José Ruy dedicado a Carolina Beatriz Ângelo, com o Dr. Manuel Mendes Silva a presentear o auditório com a preciosa informação de que o seu avô, o médico Jorge Marçal da Silva (30/06/1878 - 15/05/1929), fora colega e amigo de Carolina Beatriz Ângelo, nascida em 16 de Abril de 1878, na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e que fotografias desse Curso se encontram publicadas na obra acima mencionada. 

Para além de nos depararmos com a estudante Carolina com cerca de 20 anos, rodeada de todos os seus colegas devidamente identificados, numa iconografia até agora desconhecida, esta obra desvenda ainda o percurso do Médico cirurgião, Fotógrafo, Benemérito, Melómano, Humanista, Homem de e da Cultura Jorge Marçal da Silva e 100 surpreendentes fotografias da sua autoria de um Portugal "desconhecido" de há cem anos.

Este livro dá continuidade a um primeiro intitulado Cem fotografias de Portugal há cem anos, ambos publicados pela Ordem dos Médicas na Colecção História da Medicina e cujos direitos revertem a favor da Acreditar, Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro. Vale o empenho adquiri-los na Ordem dos Médicos!




quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

[1564.] ELZIRA DANTAS MACHADO [VI]

[1865-1942]

* ATRIBUIÇÃO DO SEU NOME À PRACETA CONTÍGUA AO MUSEU BERNARDINO MACHADO *

|| VILA NOVA DE FAMALICÃO || 15 DE DEZEMBRO DE 2016 *


"Elzira Dantas Gonçalves Pereira Machado

Filha única do conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira e de Bernardina da Silva, nasceu no Brasil a 15 de Dezembro de 1865 e casou nova, em 1882, com Bernardino Luís Machado Guimarães. 

Mãe de 19 filhos, republicana e feminista com intervenção cívica, associou-se à fundação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, chegando a ser convidada para presidi-la antes do triunfo da República, e apoiou, entre 1909 e 1916, várias das suas iniciativas, com destaque para a Obra Maternal. 

Viveu, entre 1912 e 1914, no Rio de Janeiro, enquanto o marido desempenhou as funções de Ministro de Portugal e, entre 1915 e 1917, num momento de refluxo do associativismo feminino, sobressaiu na Associação de Propaganda Feminista e na Cruzada das Mulheres Portuguesas, com outras republicanas, maçónicas e feministas: primeiro, foi eleita presidente da Empresa de Propaganda Feminista e Defesa dos Direitos da Mulher, sociedade editora do jornal A Semeadora, e da Associação de Propaganda Feminista, tendo subscrito, com Ana de Castro Osório, responsável pelo Grémio Carolina Ângelo, o conjunto de reivindicações feministas apresentadas ao Senado e Câmara dos Deputados em Agosto de 1915, repartidas por quatro temáticas (Instrução, Assistência, Funcionalismo e Direitos Políticos); e, no ano seguinte, quando residia no Palácio de Belém, liderou em Março a criação da Cruzada das Mulheres Portuguesas, que se tornou na principal obra assistencial de apoio aos soldados mobilizados e suas famílias durante a Guerra de 1914-1918, voltando a colaborar com aquela escritora, há muito amiga da família. 

No âmbito da Cruzada mobilizou esposas de ministros, senadores e deputados republicanos, transformando-a num movimento nacional através de dezenas de subcomissões locais e efectiva projecção junto dos soldados em África e na Europa. 

Estruturada em nove Comissões, a Cruzada implementou o Instituto de Reeducação dos Mutilados de Guerra (Arroios); criou creches em Alcântara e Xabregas e Casas de Trabalho; fundou a Escola Profissional n.º 1, em Lisboa, no Campo de Santa Clara; abriu a Escola Agrícola Feminina de Alcobaça; promoveu a assistência aos afilhados de guerra, repatriados e famílias, assegurando-lhes ainda a correspondência; auxiliou os órfãos; e proporcionou formação profissional a enfermeiras de guerra. 

Quando Bernardino Machado foi eleito, em 1915, Presidente da República, acompanhou-o nas suas funções políticas e, pela primeira vez, deu visibilidade ao papel de Primeira-Dama. Sofreu graves contrariedades ao viver as consequências da interrupção violenta dos dois mandatos presidenciais, primeiro em Dezembro de 1917, com Sidónio Pais e, em Maio de 1926, com Gomes da Costa. 

Em ambos os casos conheceu o exílio e, aquando do Sidonismo, viu a intervenção no âmbito da Cruzada ser questionada e perseguida. 

Em 1919, em reconhecimento do trabalho desenvolvido, foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo. 

Escreveu, quando exilada em Espanha e França entre 1927 e 1940, Contos – para os meus netos e faleceu, na cidade do Porto, a 21 de Abril de 1942, com 76 anos de idade."

[João Esteves, in Dicionário de História da I República e do Republicanismo, Assembleia da República, 2014, vol. II]

[2014]

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016